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    Como o medo e o estresse constantes impactam a saúde mental

    BarthimanBarthimanmarço 16, 2026
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    De um dia para o outro, os iranianos passaram a viver numa zona de guerra, e os ataques de Israel e dos Estados Unidos estão mirando não apenas Teerã, mas vários outros lugares em todo o Irã.

    Não que a vida antes da guerra fosse sem estresse, com as restrições impostas por um regime teocrático que tolera quase nenhuma divergência em relação à sua interpretação do islã. O regime dita, por exemplo, quais roupas as mulheres podem usar em público, e os menores desvios podem ser severamente punidos.

    Pouco antes do início da guerra, manifestantes estavam nas ruas para protestar contra o regime teocrático. A República Islâmica reprimiu brutalmente esses protestos, com milhares de mortos.

    E a isso somavam-se as sanções econômicas internacionais, que tornavam a vida cotidiana mais difícil e pioravam a situação econômica de muitas pessoas no país.

    Que efeito essa vida sob estresse constante tem na saúde mental de uma pessoa?

    ‘Problemas de saúde mental – especialmente transtorno de estresse pós-traumático, transtornos de ansiedade, depressão – são maiores entre pessoas expostas cronicamente à violência’, diz a psicóloga Dana Churbaji, que pesquisa os efeitos da guerra e do deslocamento forçado na saúde mental.

    Nas pessoas afetadas, ‘pode-se observar uma mudança na percepção sobre o quão seguro é o mundo e sobre como elas enxergam suas próprias vidas’.

    Alguém que sofre com frio, medo ou fome tem uma tolerância ao estresse muito menor, e conflitos e desentendimentos menores podem rapidamente se tornar algo grande. Para aqueles que vivem com incertezas na vida cotidiana, como quedas de energia, falta de alimentos ou perda de comunicação digital, as necessidades básicas tornam-se prioridade, segundo Churbaji.

    ‘Quando essas necessidades básicas não são atendidas, há surtos de violência mais frequentes dentro da família’, explica a psicóloga. ‘Isso afeta as relações sociais, que na verdade são o fator principal de resiliência.’

    Ou seja, pessoas com conexões sociais estáveis, que tem com quem desabafar, têm menor risco de desenvolver transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). Se esse fator protetor está ausente, o risco aumenta.

    Numa situação aguda de estresse, muitas pessoas não apresentam sintomas de TEPT porque seus cérebros estão em ‘modo de sobrevivência’. Quando precisam fugir de seu país para proteger a si mesmas e seus entes queridos, elas focam nas necessidades emergenciais. O TEPT geralmente se desenvolve depois, explica Churbaji.

    ‘Quando o cérebro tenta processar o passado, surgem os sintomas do TEPT. E esses sintomas atrapalham os esforços da pessoa para reconstruir seu bem-estar após uma experiência de fuga’, diz ela.

    Pessoas com transtorno de estresse pós-traumático costumam evitar pensar sobre a experiência traumática, apresentam reações extremas a certos ‘gatilhos de memória’, sofrem com flashbacks ou ‘memórias intrusivas’ (que, para o afetado, dão a impressão de que a experiência traumática está acontecendo novamente), mudam de temperamento e passam a tender à desconfiança e ao cinismo, tem sentimentos intensos de culpa (a chamada ‘culpa do sobrevivente’) e tem distúrbios do sono e dificuldade de concentração.

    Em ambientes onde não se pode falar abertamente sobre saúde mental, o estresse psicológico também se manifesta fisicamente, diz Churbaji, por exemplo na forma de dores de cabeça, dores nas costas, cólicas menstruais ou fadiga.

    Também faz diferença se a pessoa passou por um único evento traumático, como uma agressão, ou se convive há muito tempo com guerra e violência. ‘A perseguição política de dissidentes no Irã já dura há muito tempo. Protestos contra o regime são repetidamente e violentamente reprimidos’, observa a psicóloga Rita Rosner, da Universidade Católica de Eichstätt-Ingolstadt. ‘Os iranianos são diretamente afetados por essa situação traumática prolongada.’

    Esse estado contínuo de luta ou fuga pode ser mais estressante que um único evento traumático, como um acidente de carro grave. ‘Eventos únicos têm menor probabilidade de desencadear reações de estresse’, afirma. ‘Com cada evento traumático adicional, ansiedade, depressão e TEPT tornam-se mais prováveis.’

    Churbaji destaca que experiências traumáticas são ainda mais perigosas quando várias áreas da vida são afetadas. Alguém que, além de bombardeios e repressão política, também sofre violência doméstica e assédio sexual no trabalho, por exemplo, é particularmente vulnerável ao TEPT.

    Condições como TEPT podem ser tratadas com apoio psicossocial, o que inclui terapia individual ou em grupo com profissionais da saúde mental. O ambiente social também pode ser um apoio importante.

    Há também recursos online. Rosner cita, por exemplo, a Organização Mundial da Saúde (OMS). Sob o título Fazer o que importa em tempos de estresse, a OMS oferece um documento em 23 idiomas para ajudar pessoas a lidar com situações estressantes.

    Esses passos podem ajudar a combater ou aliviar os sintomas, mas nenhum deles apaga as memórias traumáticas. ‘Não se pode assumir que o que aconteceu pode ser desfeito’, diz Churbaji. ‘Mas a maioria das pessoas pode voltar a ter uma vida plena.’

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