Mato Grosso do Sul passou a integrar a nova etapa do ZarcNM (Zoneamento Agrícola de Risco Climático por Níveis de Manejo), projeto do Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária) em parceria com a Embrapa, que amplia o acesso ao seguro rural e aumenta o percentual de subvenção para produtores que adotam melhores práticas de manejo do solo.
A segunda fase do projeto foi aprovada pelo Comitê Gestor Interministerial do Seguro Rural, por meio da Resolução nº 111, de 28 de abril de 2026, e representa um avanço importante especialmente para o campo sul-mato-grossense, onde a soja e o milho safrinha têm peso direto na economia e na geração de renda.
A principal mudança para Mato Grosso do Sul está na inclusão do Estado tanto na soja quanto no milho de segunda safra dentro do novo modelo. Até então, o projeto-piloto havia começado apenas com a soja no Paraná, durante a safra 2025/2026.
Agora, além do Paraná, a soja passa a abranger também Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Já o milho de segunda safra entra no programa nos estados do Paraná e de Mato Grosso do Sul, o que coloca o Estado em posição estratégica dentro da política nacional de gestão de risco no agronegócio.
Na prática, o modelo aumenta o percentual de ajuda federal no pagamento do seguro rural conforme o nível de manejo da propriedade. Quanto melhor a classificação da área produtiva, maior o percentual de subvenção ao prêmio do seguro.
Para a soja, os percentuais passam a ser de 20% para áreas classificadas como NM1 (Nível de Manejo 1), 30% para NM2 (Nível de Manejo 2), 35% para NM3 (Nível de Manejo 3) e 40% para NM4 (Nível de Manejo 4).
No caso do milho safrinha, os percentuais são ainda maiores: 40% para NM1, 45% para NM2 e até 50% para áreas classificadas como NM3 e NM4, o maior percentual previsto dentro do PSR (Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural).
Isso significa que produtores sul-mato-grossenses que mantêm áreas com melhor conservação e manejo do solo poderão pagar menos pelo seguro rural e ter maior proteção financeira diante de perdas provocadas principalmente pela seca, um dos principais riscos para a produção no Estado.
Para viabilizar essa nova etapa, o governo federal destinou recursos exclusivos de R$ 1 milhão para a soja e mais R$ 1 milhão para o milho de segunda safra dentro do orçamento de 2026 do PSR.
Outro ponto importante é que o sistema agora permitirá a classificação antecipada das áreas produtivas dentro do SINM (Sistema de Identificação de Níveis de Manejo), da Embrapa. Com isso, produtores e seguradoras terão acesso prévio ao enquadramento da propriedade, permitindo uma análise mais precisa do risco, mais previsibilidade e até possíveis ajustes no custo das apólices.
O milho safrinha que será plantado conforme as janelas do Zarc no primeiro trimestre de 2027 já poderá ser enquadrado no novo modelo. As apólices poderão ser contratadas antecipadamente e serão recebidas pelo Ministério da Agricultura na abertura do sistema, prevista para o segundo semestre deste ano.
O Zarc Níveis de Manejo é uma evolução do tradicional Zoneamento Agrícola de Risco Climático. Enquanto o modelo convencional considera fatores como clima, tipo de solo e ciclo da cultura, o novo sistema também incorpora a qualidade do manejo do solo como elemento central na redução do risco climático.
A metodologia reconhece que áreas com práticas conservacionistas mais avançadas, como o Sistema Plantio Direto consolidado, apresentam maior infiltração e retenção de água no solo, além de raízes mais profundas, tornando a lavoura mais resistente em períodos de estiagem.
A Embrapa classifica as propriedades em quatro níveis de manejo, do NM1 ao NM4, com base em indicadores físicos, químicos e biológicos do solo e no histórico de práticas agrícolas adotadas. Quanto melhor esse histórico, menor o risco de perdas de produtividade por seca.
A Resolução também determina que, para participar do projeto-piloto, o produtor deve contratar apólice de seguro rural com cobertura mínima de 65% da produtividade esperada para produtos classificados como multirrisco.
Além disso, caso haja cancelamento da apólice, o valor da subvenção federal deverá ser integralmente devolvido pela seguradora ao Ministério da Agricultura.
Para Mato Grosso do Sul, a ampliação do programa reforça uma política importante em um cenário de frequentes impactos climáticos sobre a produção agrícola, especialmente no milho safrinha, cultura fortemente dependente das condições de chuva e bastante sensível a períodos prolongados de seca.
Com a entrada do Estado nessa nova fase, o ZarcNM passa a funcionar não apenas como uma ferramenta de seguro, mas também como um estímulo direto à adoção de práticas mais sustentáveis e eficientes no campo, fortalecendo a competitividade da produção sul-mato-grossense e ampliando a segurança para o produtor rural.







