O mercado físico do boi gordo começou a semana em clima de cautela. Apesar de algumas praças ainda apresentarem sustentação nos preços, principalmente para animais destinados à exportação, o setor já convive com um cenário de pressão típica de maio, marcada pelo avanço do período seco, maior oferta de animais de pasto e escalas de abate mais confortáveis nas indústrias frigoríficas.
As movimentações desta segunda-feira (11) mostram um mercado dividido entre a expectativa de continuidade das exportações brasileiras e o aumento do viés baixista nas negociações internas. Enquanto frigoríficos seguem seletivos nas compras, consultorias apontam que a arroba ainda encontra suporte importante no bom desempenho das vendas externas, especialmente para China e Estados Unidos. Clique aqui para seguir o canal do CompreRural no Whatsapp
Segundo Fernando Henrique Iglesias, analista da Safras & Mercado, parte das indústrias permaneceu fora das compras no início da semana, avaliando estratégias para o curtíssimo prazo. A expectativa, segundo ele, é de maior disponibilidade de gado para abate ao longo do restante do mês, movimento considerado normal dentro da sazonalidade deste período.
Ao mesmo tempo, o mercado segue atento ao cenário internacional, principalmente após o anúncio de que a cota brasileira de exportação de carne bovina para a China já alcançou 50% do volume estipulado pelo governo chinês. Para Iglesias, a possível remoção de tarifas de importação pelos Estados Unidos pode ajudar o Brasil a reduzir sua dependência do mercado chinês e ampliar as vendas para os norte-americanos. Oferta de animais aumenta e amplia pressão sobre a arroba
Do lado da oferta, a Agrifatto avalia que o avanço do período seco e a queda das temperaturas em importantes regiões pecuárias do Brasil tendem a estimular maior entrada de animais terminados no mercado, adicionando pressão negativa sobre os preços nos próximos dias.
A consultoria destaca que a sazonalidade típica de maio continua impactando o setor, principalmente porque o enfraquecimento das pastagens acelera a chamada “desova’ de animais de pasto, aumentando o volume disponível para abate e proporcionando escalas mais confortáveis aos frigoríficos brasileiros.
Ainda de acordo com a Agrifatto, frigoríficos com programações mais alongadas seguem cautelosos nas aquisições, sem necessidade imediata de recomposição de escala e atentos a oportunidades em preços menores. Já unidades com escalas mais curtas permanecem ativas nas negociações, tentando absorver lotes dentro das referências defendidas pelos pecuaristas. Arroba segue firme em algumas praças e “boi-China’ mantém prêmio
Mesmo com o mercado mais lento, algumas regiões ainda apresentam relativa sustentação nos preços. Em São Paulo, a Agrifatto apontou o boi gordo comum negociado em R$ 350/@, enquanto o chamado “boi-China’ permaneceu cotado em R$ 360/@ no prazo.
Já a Scot Consultoria informou que o boi gordo comum paulista foi cotado em R$ 355/@, enquanto o animal padrão-exportação também permaneceu em R$ 360/@. A consultoria ressalta, porém, que já existem negociações acontecendo abaixo desses níveis, embora ainda sem volume suficiente para alterar oficialmente as referências de mercado.
No levantamento nacional da Safras & Mercado, os preços médios da arroba ficaram nos seguintes patamares: São Paulo: R$ 350,83/@ Goiás: R$ 332,50/@ Minas Gerais: R$ 339,41/@ Mato Grosso do Sul: R$ 349,43/@ Mato Grosso: R$ 356,89/@ Carne bovina enfrenta dificuldade no atacado
No mercado atacadista, o ambiente também segue mais travado. Segundo Iglesias, há menor espaço para reajustes positivos na segunda quinzena do mês, período historicamente marcado por consumo menos aquecido.
Outro fator que pesa sobre a carne bovina é a forte concorrência com proteínas mais acessíveis, especialmente a carne de frango, que continua apresentando maior competitividade para o consumidor brasileiro.
As referências do atacado ficaram em: Quarto traseiro: R$ 27,50/kg Quarto dianteiro: R$ 21,50/kg Ponta de agulha: R$ 20/kg Mercado segue dividido entre pressão interna e força das exportações
Apesar da pressão sazonal típica de maio e da maior oferta de animais, o mercado ainda evita movimentos bruscos de queda devido ao forte desempenho das exportações brasileiras de carne bovina em 2026.
A sustentação do “boi-China’ em R$ 360/@ mostra que a demanda externa continua sendo o principal fator de defesa dos preços da arroba neste momento. No entanto, o avanço da cota chinesa e o aumento da oferta doméstica seguem no radar do setor, podendo influenciar diretamente o comportamento do mercado nas próximas semanas.
*Escrito por Compre Rural Notícias




