O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, protocolou neste domingo, 11, na Justiça eleitoral, uma notícia-crime em que acusa o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, de crime eleitoral e pede a abertura de uma investigação sobre sua conduta por ter divulgado a abertura de uma apuração de interferência do governo americano nas eleições brasileiras em favor da extrema-direita.
A investigação sobre a interferência, aberta em caráter preliminar e sem ainda inquérito instaurado, foi anunciada em uma coletiva de imprensa feita por Rodrigues no dia do primeiro turno da eleição.
O procedimento aberto pela PF acabou suspenso dias depois e, segundo a acusação de Flávio, foi feito sem provas. A petição argumenta que a divulgação, realizada no dia da eleição, foi feita essencialmente para uso político por parte do PT, com o objetivo de prejudicar a campanha do adversário, e que, por isso, fere a legislação eleitoral.
A petição, obtida pela coluna Radar de VEJA, foi protocolada neste domingo no Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal.
A investigação em questão, anunciada pela PF naquele domingo, era destinada a apurar as supostas acusações de que o governo dos Estados Unidos estaria financiando movimentos de extrema-direita em outros países, incluindo o Brasil. A apuração acabou arquivada pela Política Federal três dias depois, na quarta-feira, 7, por falta de provas.
“A cronologia é eloquente. Em 1 de outubro a Advocacia-Geral da União levou à Polícia Federal uma notícia-crime sem crime, sem autor e sem fato, prontamente difundida na imprensa”, diz o documento. “Em 4 de outubro, Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, levou essa narrativa ao eleitor, em coletiva oficial, no dia da votação, com evidente aptidão para influenciar a opinião do eleitorado. Logo depois, as apurações foram arquivadas por falta de elementos mínimos.”
A denúncia afirma que a manobra, caso confirmada, configura uso da PF em favor do governo, o que fere o artigo 377 do Código Eleitoral, que veda o uso de órgãos públicos “para beneficiar partido ou organização de caráter político”. “Por essa razão é que se apresenta a vertente notícia-crime, no intuito de que seja instaurado o respectivo procedimento investigatório para apurar os fatos”, diz a notícia-crime aberta por Flávio. “Pois o Noticiado (Andrei Rodrigues), autoridade máxima da Polícia Federal, utilizou o serviço dessa repartição pública federal, no dia do primeiro turno, em benefício de partido político.”
O que aconteceu
As suspeitas em torno de financiamentos que o governo de Donald Trump, nos Estados Unidos, estaria fazendo a movimentos civis conservadores de outros países, incluindo um cheque para a campanha contra o Supremo Tribunal Federal no Brasil, começaram depois que uma reportagem feita pelo jornal britânico The Guardian, de 30 de setembro, denunciou o esquema da administração de Trump.
No dia seguinte, 1 de outubro, a Advocacia-Geral da União (AGU) brasileira expediu dois ofícios, ambos assinados pelo advogado-geral, Jorge Messias pedindo a abertura de investigações acerca das denúncias feitas pelo jornal. Um foi encaminhado ao diretor-geral da PF, Rodrigues, e o outro para o chefe da Procuradoria-Geral da República, Paulo Gonet.
Foi o encaminhamento interno, na PF, desta investigação que Rodrigues anunciaria na coletiva de imprensa que realizou quatro dias depois, no domingo 4, enquanto acontecia o primeiro turno das eleições nas cidades brasileiras. A investigação, contudo, acabaria arquivada pela Política Federal na quarta-feira seguinte, 7 de setembro.





