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    Home»Destaque»Bactéria do intestino pode aumentar força muscular, diz estudo
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    Bactéria do intestino pode aumentar força muscular, diz estudo

    BarthimanBarthimanmarço 20, 2026
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    Uma bactéria encontrada no intestino aparenta impactar de forma positiva a força e o desempenho muscular em humanos e camundongos, concluiu uma nova pesquisa. Embora preliminar, o resultado do estudo é um indicativo de que, com mais evidências e investigações no futuro, a bactéria poderia ser uma aliada no combate à fraqueza muscular.

    A perda de massa e desempenho muscular leva a diferentes malefícios na qualidade de vida e saúde humana, especialmente em idosos. Redução de mobilidade, maior risco de queda e fragilidade excessiva são alguns exemplos. O cenário suscita uma questão central: como reverter a fraqueza muscular que impacta a vida de milhares de pessoas, principalmente aquelas mais velhas?

    Uma das possíveis soluções reside no intestino, mais especificamente em bactérias da flora intestinal. Borja Martinez-Tellez, investigador principal da Universidade de Almería, na Espanha, e responsável pelo novo estudo realizado durante seu pós-doutorado no Centro Médico da Universidade de Leiden, nos Países Baixos, explica que o interesse por bactérias intestinais para melhorar o desempenho muscular foi impulsionado por volta de 2018.

    Naquele ano, em uma pesquisa sobre transplante de bactérias intestinais, cientistas começaram a especular se a transferência de organismos vivos presentes em atletas poderiam melhorar o desempenho físico de pessoas sedentárias. A hipótese era inviável, na prática, continua Martinez-Tellez, mas a ideia orientou um campo de pesquisa para analisar a composição da flora intestinal de diferentes pessoas considerando seu histórico de atividades físicas.

    ‘Esses estudos permitiram que os pesquisadores identificassem associações entre condicionamento físico, força muscular e microrganismos específicos’, explica Martinez-Tellez.

    O gênero de bactérias Roseburia foi listado como um dos que aparentava ter uma das maiores associações com melhores resultados de força muscular. O estudo de Martinez-Tellez segue esta mesma linha, buscando trazer novas evidências sobre o assunto.

    Parte da pesquisa foi realizada com dados de 123 pessoas, sendo 90 delas com idade entre 18 e 25 anos e outras 33 com pelo menos 65 anos. Os cientistas analisaram amostras de fezes dos participantes a fim de estratificar a presença de diversas bactérias do gênero Roseburia. Os integrantes da pesquisa também tiveram sua força muscular segmentada a partir de diferentes medidas para ser possível realizar associações entre esse fator e a existência de bactérias.

    No geral, os autores afirmaram que a abundância do gênero Roseburia estava relacionada a resultados positivos da função muscular. No entanto, foi a bactéria Roseburia inulinivorans que apresentou os melhores resultados.

    Idosos com índices detectáveis dessa bactéria em específico contaram com maior força de preensão manual em comparação com aqueles sem registros significativos da R. inulinivorans. Nos participantes mais jovens, os resultados foram semelhantes. Entre eles, a bactéria também teve relação com melhores desempenhos na prática de leg press e supino.

    Além dos dados em humanos, o estudo também investigou a associação entre a bactéria intestinal e força muscular em 32 camundongos. Os animais tiveram sua flora intestinal reduzida por antibióticos e depois foram divididos em quatro grupos: um deles era placebo, não recebendo suplementação de bactérias, e cada um dos outros três segmentos acessaram a um tipo diferente de Roseburia, incluindo a R. inulinivorans.

    O desempenho muscular dos camundongos foi medido a partir da força de preensão nas patas dianteiras por até oito semanas. Os animais suplementados com R. inulinivorans aumentaram em 30% a força nas patas em comparação aos outros grupos de camundongos que fizeram parte do estudo, conclusão que ratifica os achados em humanos.

    Uma explicação provável da associação entre a R. inulinivorans e a força muscular tem relação com o eixo intestino-músculo. Essa conexão abre a possibilidade de alteração do metabolismo muscular pela bactéria, levando a maior produção de energia e crescimento celular, além do aumento do tamanho das fibras musculares.

    Embora o estudo tenha chegado a conclusões valiosas sobre o tema, etapas ainda precisam ser tomadas para transformar esse achado em uma terapia possivelmente eficaz contra a fraqueza muscular. ‘É necessário compreender melhor a segurança e a potencial toxicidade dessa bactéria, bem como determinar se esses efeitos podem ser replicados em humanos, o que ainda não foi demonstrado’, afirma Martinez-Tellez.

    O autor do estudo também reitera que, se no futuro a bactéria for realmente adotada como uma terapia para melhorar a força muscular, este mecanismo provavelmente será um suplemento aos benefícios insubstituíveis e já comprovados de exercícios físicos.

    ‘Os benefícios do treinamento de força na massa e função muscular não podem ser replicados por nenhuma intervenção isolada, e ele continua sendo a estratégia mais eficaz para melhorar a força muscular’, conclui o pesquisador.

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