Uma declaração de Simone Tebet durante o debate ao Senado por São Paulo realizado pelo Estadão e pela FAAP, na quarta-feira (23), abriu espaço para uma das respostas mais repercutidas da noite.
Ao falar sobre a classe política, Tebet afirmou que era preciso ter “vergonha na cara, roubar menos” e combater desperdícios e privilégios. A expressão foi imediatamente aproveitada por Guilherme Derrite. “A classe política não tem que roubar menos. A classe política não tem que roubar de jeito nenhum”, rebateu o candidato.
A declaração de Tebet rapidamente se transformou em argumento de seus adversários e ganhou repercussão política após o debate. A própria cobertura da TMC registrou que a frase poderia servir de munição para a oposição.
De Mato Grosso do Sul para a disputa paulista
Para o público sul-mato-grossense, o confronto ganha um componente adicional. Simone Tebet construiu parte central de sua trajetória política em Mato Grosso do Sul. Foi prefeita de Três Lagoas, vice-governadora e senadora pelo estado antes de integrar o governo federal e, posteriormente, entrar na disputa eleitoral paulista.
A mudança de estado já havia se tornado assunto em outro debate da campanha. No encontro promovido pela Band, Derrite e Ricardo Salles classificaram as candidaturas de Tebet e Marina Silva como “forasteiras”, argumentando que suas trajetórias políticas haviam sido consolidadas, respectivamente, em Mato Grosso do Sul e no Acre. Tebet e Marina rejeitaram a crítica e disseram que esse tipo de questionamento também deveria ser feito a políticos homens que mudam de domicílio eleitoral.
A candidatura de Tebet ao Senado paulista, portanto, marca uma mudança significativa em relação à trajetória que a projetou nacionalmente a partir de Mato Grosso do Sul.
Derrite já havia confrontado Tebet sobre corrupção
O episódio do “roubar menos” não foi o primeiro choque direto entre os dois. No debate da Band de 9 de setembro, uma discussão inicialmente centrada em maioridade penal e segurança pública terminou em acusações sobre corrupção.
Depois de Tebet questionar a gestão de Derrite na Secretaria de Segurança Pública paulista e mencionar denúncias envolvendo um ex-subcomandante da Polícia Militar, Derrite respondeu questionando a autoridade política da adversária para tratar do assunto e lembrou sua participação no governo Lula.
Derrite também associou governos petistas a escândalos de corrupção. Tebet, por sua vez, havia usado seu espaço para questionar decisões tomadas durante a passagem de Derrite pela segurança pública paulista. A Band registrou o confronto sob o título “Derrite confronta Tebet em debate., ‘Que moral a senhora tem?’”.
Segurança pública também separa os candidatos
As divergências não ficaram restritas às provocações políticas. No debate da Band, Derrite defendeu maior rigor na legislação penal e a redução da maioridade penal para 16 anos em crimes graves. Tebet também se declarou favorável à redução em determinadas situações, mas apresentou uma posição mais restrita, aplicável a crimes hediondos e casos específicos.
Tebet também criticou pontos do PL Antifacção e defendeu mudanças para atingir financeiramente organizações criminosas. Derrite, por sua vez, destacou medidas tomadas durante sua passagem pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo e sua atuação legislativa na área criminal.
Uma frase que virou o centro do debate
Independentemente da intenção de Tebet ao empregar a expressão “roubar menos”, Derrite encontrou nela uma oportunidade para formular uma resposta simples e de forte efeito retórico.
Ao contrapor “roubar menos” a “não roubar de jeito nenhum”, o candidato transformou uma frase da adversária em um dos principais momentos do confronto.
Para Mato Grosso do Sul, o episódio também chama atenção pela mudança de cenário político de uma personagem que durante anos representou o estado no Congresso Nacional e que agora busca voltar ao Senado pelos votos dos eleitores de São Paulo.
A avaliação sobre essa mudança, assim como sobre os argumentos apresentados por Derrite e Tebet, caberá aos eleitores. O que os debates já deixaram evidente é que a trajetória sul-mato-grossense da ex-senadora e sua atual candidatura paulista se tornaram parte da própria disputa eleitoral em São Paulo.





