A soja voltou ao topo da pauta de exportações de Mato Grosso do Sul este ano e promoveu uma mudança importante na composição das vendas externas do Estado. Depois de perder a liderança para a celulose em 2025, a oleaginosa avançou tanto em receita quanto em volume embarcado, enquanto a indústria de celulose perdeu participação e registrou queda na quantidade exportada.
Conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), entre janeiro e setembro, MS exportou US$ 9,2 bilhões, alta de 12,5% em relação aos US$ 8,17 bilhões registrados no mesmo período de 2025. O volume total também cresceu, passando de 22,37 milhões de toneladas para cerca de 25 milhões de toneladas, segundo os dados do comércio exterior.
A principal mudança ocorreu entre os três produtos que tradicionalmente sustentam a balança comercial sul-mato-grossense. A soja movimentou US$ 2,87 bilhões nos nove primeiros meses deste ano, contra US$ 2,09 bilhões no mesmo intervalo de 2025.
O crescimento foi de 37% em valor. Em volume, a alta também foi expressiva. Os embarques passaram de 5,28 milhões para 6,69 milhões de toneladas, aumento de 26,7%.
Com isso, a participação da oleaginosa nas exportações estaduais subiu de 25,58% para 31,1%, fazendo com que o produto retomasse a primeira colocação.
No ano passado, a situação era inversa. Entre janeiro e setembro de 2025, a celulose liderava, com US$ 2,39 bilhões e participação de 29,22%. A celulose continua sendo um dos principais produtos da pauta, mas perdeu protagonismo neste ano quando foram exportados US$ 2,44 bilhões em celulose.
Enquanto os embarques caíram de 5,17 milhões de toneladas para 5,02 milhões de toneladas, recuo de 2,9%. Com isso, a participação da celulose na pauta caiu de 29,22% para 26,4%.
O movimento é particularmente significativo porque a celulose havia ganhado espaço rapidamente nos últimos anos com a expansão da produção estadual, especialmente após a entrada em operação da fábrica da Suzano em Ribas do Rio Pardo.
Em 2025, a celulose havia registrado crescimento de 35,2% no volume exportado na comparação com os nove primeiros meses de 2024, passando de 3,14 milhões para 5,17 milhões de toneladas. Naquele período, o produto havia se tornado o principal item da pauta estadual.
CARNE
A carne bovina também ganhou participação na pauta. Considerando as exportações de carne bovina fresca, refrigerada e congelada, o Estado enviou ao mercado externo 258,6 mil toneladas entre janeiro e setembro deste ano, movimentando US$ 1,64 bilhão.
No mesmo período de 2025, a carne bovina havia movimentado US$ 1,3 bilhão, com 240,6 mil toneladas embarcadas. A receita cresceu 26%, enquanto o volume aumentou 7,5%. A participação da proteína na pauta passou de 15,92% para 17,8%.
Assim, soja, celulose e carne bovina passaram a representar, juntas, 75,3% das exportações de Mato Grosso do Sul, ante 70,7% um ano antes.
Conforme antecipou o Correio do Estado na edição de ontem, os frigoríficos de MS já buscam novos mercados para driblar a barreira imposta pela China. Com a cota imposta pelo país asiático, quatro plantas já foram habilitadas para enviar carne e miúdos para a Indonésia.
DESTINO
A China continua como principal compradora, mas sua participação caiu de 46,1% para 31,8% das exportações estaduais entre janeiro e setembro.
A redução de 14,3 pontos porcentuais ocorre justamente em um período de crescimento das vendas externas de MS, indicando que o avanço não ficou concentrado em um único mercado.
Depois da China aparecem os Estados Unidos, com 9,9%, os Países Baixos, com 8,8%, o Irã, com 6,6%, e a Índia, com 3,1%.
No mesmo período de 2025, a China havia respondido por 46,11% das exportações de MS, com compras de US$ 3,77 bilhões. A forte participação chinesa também marcou o fechamento de 2025, quando o país asiático respondeu por 48,57% das exportações estaduais.
A mudança deste ano reduz a concentração das vendas externas por destino, em um cenário de maior disputa comercial e necessidade de diversificação dos mercados.
RECORDE
A mudança na composição dos produtos ocorre enquanto a balança comercial mantém resultado histórico. Ainda de acordo com os dados do Mdic, nos nove meses deste ano, Mato Grosso do Sul acumulou superavit de US$ 7,4 bilhões, contra US$ 6,34 bilhões no mesmo período de 2025.
O resultado já corresponde a cerca de 92% do saldo de US$ 8 bilhões registrado em todo o ano passado, quando o Estado alcançou o maior superavit comercial de sua história.
Do lado das importações, foram US$ 1,8 bilhão até setembro, queda de 4,1% na comparação anual. O gás natural continua sendo o principal produto comprado no exterior, com participação de 31,6%, seguido pelo cobre, com 10,6%, e por caldeiras e geradores de vapor, com 7%.
A redução das importações de gás foi um dos fatores que ajudaram a ampliar o saldo comercial estadual nos últimos anos. De janeiro a setembro de 2025, por exemplo, as compras de gás somaram US$ 606,1 milhões, queda de 33% em relação ao mesmo período de 2024.




