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    Home»Destaque»92% da população mundial será afetada pelo câncer, diz OMS
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    92% da população mundial será afetada pelo câncer, diz OMS

    BarthimanBarthimanjulho 9, 2026
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    Cerca de 92% da população mundial será afetada pelo câncer ao menos uma vez na vida, seja ao receber um diagnóstico da doença ou ao acompanhar um familiar próximo. A estimativa faz parte do Relatório Global sobre o Status do Câncer 2026, divulgado nesta quinta-feira (9) pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

    Uma em cada cinco pessoas desenvolverá câncer ao longo da vida, segundo o relatório. Em 2024, cerca de 20,6 milhões de pessoas receberam o diagnóstico da doença em todo o mundo. A expectativa é que esse número chegue a 35 milhões de novos casos por ano até 2050, um aumento de 66,7%.

    Grande parte desse crescimento deve ocorrer na Ásia, que já concentra 53% dos novos casos registrados no mundo, principalmente pelo tamanho da população da região.

    O avanço da doença entre adultos mais jovens também preocupa. Entre 1990 e 2019, os casos de câncer em pessoas com menos de 50 anos cresceram 79,1% em todo o mundo.

    Se o câncer atinge praticamente todos os países, as chances de sobreviver à doença continuam muito diferentes de um lugar para outro. Hoje, elas dependem cada vez mais do acesso ao diagnóstico precoce e ao tratamento, além das condições econômicas de cada país.

    Nos países de alta renda, onde os tumores costumam ser descobertos mais cedo, a sobrevida em cinco anos para casos de câncer de mama e câncer infantil supera 85%. Já nos países de baixa renda, esse percentual fica abaixo de 45%. A tendência é que essa desigualdade aumente nas próximas décadas: até 2050, os casos devem crescer 133,3% nos países de baixa renda, enquanto o aumento projetado para os países de alta renda é de 46,9%.

    A diferença também aparece quando o assunto é reduzir as mortes pela doença. Apenas 12 países estão no caminho para cumprir a meta da Organização das Nações Unidas (ONU) de diminuir em um terço a mortalidade prematura por câncer até 2030. Em sentido contrário, 48 países registram aumento nas mortes precoces relacionadas à doença.

    Cerca de 40% dos novos casos de câncer poderiam ser evitados com a redução da exposição a fatores de risco que podem ser modificados.

    Entre os principais fatores associados aos novos diagnósticos estão o tabagismo, ligado a 15% dos casos, as infecções, responsáveis por 10%, o consumo de álcool (3%) e o índice de massa corporal (IMC) elevado, associado ao sobrepeso e à obesidade (2%).

    O relatório também aponta que estratégias de marketing e lobby das indústrias do tabaco, de bebidas alcoólicas e de alimentos ultraprocessados dificultam a adoção de políticas públicas mais eficazes para prevenir a doença.

    Diagnóstico e tratamento ainda são desiguais

    Descobrir o câncer cedo e conseguir tratamento ainda é um desafio para boa parte da população mundial.

    Segundo o relatório, 47% da população mundial tem pouco ou nenhum acesso a serviços básicos de diagnóstico. Em muitos países de baixa e média renda, a doença só é descoberta quando já está em estágio avançado, o que reduz significativamente as chances de cura.

    Além do desafio para conseguir tratamento, muitas famílias também enfrentam dificuldades financeiras. Em diversos países, entre 45% e 60% das pessoas afetadas pelo câncer têm gastos considerados catastróficos com saúde, situação que pode levar ao endividamento e até ao abandono do tratamento.

    O que precisa mudar

    Além das consequências físicas, o câncer também afeta a saúde mental e a qualidade de vida. Mais da metade dos pacientes relata problemas emocionais após o diagnóstico, enquanto cerca de 69% convivem com fadiga durante o tratamento.

    Para mudar esse cenário, a OMS defende mais investimentos em profissionais de saúde, ampliação do acesso à prevenção, ao diagnóstico e ao tratamento, além de políticas que considerem não apenas a sobrevivência, mas também a qualidade de vida dos pacientes e de suas famílias.

    Na avaliação da organização, as decisões tomadas agora serão decisivas para reduzir as desigualdades e enfrentar o crescimento do câncer nas próximas décadas. Com informações do SBT News

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