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    Home»Destaque»Casos de câncer de pâncreas crescem entre jovens, aponta estudo
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    Casos de câncer de pâncreas crescem entre jovens, aponta estudo

    BarthimanBarthimanabril 26, 2026
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    O perfil de pacientes com câncer de pâncreas está mudando. Embora a maioria dos diagnósticos ocorra após os 55 anos, um estudo conduzido por pesquisadores do Brasil e do Canadá revela que a incidência e a mortalidade pela doença em pessoas de até 49 anos devem aumentar nas próximas décadas.

    Publicada na revista científica JCO Global Oncology, a análise foi baseada em dados do Global Burden of Diseases, Injuries, and Risk Factors Study, levantamento global que reúne informações de 204 países e territórios. Os resultados indicam que o câncer de pâncreas precoce pode se tornar um dos principais desafios de saúde global até 2040.

    ‘De fato, temos percebido uma elevação nos casos em pessoas com menos de 50 anos e isso se deve ao estilo de vida que envolve importantes fatores de risco para a enfermidade, como obesidade, fumo e excesso no consumo de álcool e alimentos ultraprocessados’, afirma o oncologista Ramon Andrade de Mello, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia. Apesar disso, a idade avançada ainda é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento da doença.

    Nos Estados Unidos, a preocupação com o câncer de pâncreas também tem ganhado força. Um movimento nacional foi lançado para ampliar a conscientização sobre a doença e alertar para o aumento dos casos. O tumor está entre os mais letais, com taxa de sobrevida em cinco anos inferior a 20%.

    Um dos maiores desafios em relação a tumores no pâncreas é seu caráter silencioso. ‘Em grande parte das vezes, a doença é assintomática e sua presença não é detectada em exames de rotina, como os de sangue ou o ultrassom de abdômen’, relata o oncologista Diogo Bugano, especialista em tumores do trato gastrointestinal do Einstein Hospital Israelita.

    Quando surgem sintomas, como náuseas, dor na região do estômago que pode irradiar para as costas, perda de peso inexplicada e icterícia (coloração amarelada da pele e dos olhos), o tumor geralmente já está em estágio avançado, o que explica sua alta mortalidade.

    Segundo estimativas do Inca (Instituto Nacional de Câncer), são esperados cerca de 13.240 novos casos por ano no Brasil entre 2026 e 2028. Por isso, a prevenção e a avaliação individualizada são essenciais. Exames como tomografia computadorizada, ressonância magnética, ultrassonografia endoscópica e biópsia são aliados na confirmação do diagnóstico.

    Entre os grupos de risco estão pessoas com histórico familiar da doença, mutações nos genes BRCA (também associados a cânceres de mama, ovário e próstata), diabetes tipo 2 (especialmente com início após os 40 anos), dor persistente nas costas sem causa ortopédica, além de pessoas que fumam, bebem álcool com frequência e têm uma dieta desequilibrada.

    O tratamento varia conforme o estágio e a localização do tumor, mas geralmente inclui quimioterapia, radioterapia, cirurgia e terapias-alvo, medicamentos que atuam sobre mecanismos específicos das células cancerígenas.

    Novas abordagens terapêuticas também estão em desenvolvimento e devem ampliar as opções disponíveis nos próximos anos. ‘Um exemplo são os inibidores de KRAS, que estão sendo estudados em várias partes do mundo e devem chegar ao Brasil até o ano que vem’, relata Bugano.

    Esse é um método de terapia-alvo que age diretamente nas proteínas KRAS. ‘O medicamento age sobre essa mutação genética, presente em 90% dos casos e que leva ao crescimento celular descontrolado, desencadeando a doença’, relata Bugano. ‘Também avançam novas quimioterapias, que conseguem penetrar mais profundamente no tecido do tumor, normalmente com menos toxicidade’, conta o médico do Einstein.

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