Fraqueza ou dormência súbita em um lado do corpo, dificuldade para falar ou entender, alterações visuais, tontura e perda de equilíbrio. Quando se pensa em AVC (Acidente Vascular Cerebral), os sintomas perceptíveis são os mais citados. Mas, na verdade, a ausência deles caracteriza a maioria dos derrames mundo afora.
A demência é o principal sintoma do AVC silencioso, caracterizado por não ser súbito ou visível, mas que se acumula com o tempo e têm um grande impacto na cognição. Médicos dizem que não se deve, de maneira alguma, ignorá-lo.
Nesta quarta-feira (29) se celebra o Dia Mundial do AVC, data estabelecida pela OMS (Organização Mundial da Saúde) e pela Federação Mundial de Neurologia para promover a conscientização sobre os sinais de alerta, tratamento e medidas de prevenção.
Um estudo da Associação Americana do Coração diz que, para cada pessoa que sofre um AVC com sintomas claros, cerca de dez são silenciosos. O estudo ainda mostra que entre 8% e 31% da população apresenta essas lesões, e o número aumenta com a idade.
A neurologista Sheila Martins, presidente da Rede Brasil AVC, diz que os ‘pequenos infartos silenciosos’ (como são chamados pequenos AVCs isquêmicos) acontecem porque pequenas áreas do cérebro vão perdendo circulação ao longo dos anos, causando um declínio progressivo da memória, do raciocínio, do juízo e da capacidade de planejamento.
Segundo a médica, os AVCs não são realmente silenciosos —sua manifestação é a perda de memória e o comprometimento cognitivo, o que faz com que o AVC seja a segunda principal causa de demência no mundo.
A médica diz que é possível passar anos sem saber que se teve um AVC e encontrar indícios em exames de tomografia ou ressonância. ‘Nesses casos, o mais importante é investigar por que o AVC aconteceu — se há hipertensão, fibrilação atrial, diabetes, colesterol alto, tabagismo, entre outros fatores. Identificar e tratar a causa é essencial para evitar novos eventos’, diz Martins.
Percebendo os sintomas, é importante procurar avaliação médica rápida. O tratamento é uma corrida contra o tempo: cada minuto conta. Nos casos leves, se houver demora, há um risco alto de um novo AVC em pouco tempo ou de se tornar grave, diz a neurologista. Os efeitos mais graves da doença são paralisia corporal, perda de visão e de capacidade de fala, coma ou morte cerebral.
A recomendação é procurar rapidamente um centro de saúde que tenha equipamentos que realizam os procedimentos de trombólise e trombectomia. ‘Não marque consulta nem procure a UPA. AVC mesmo leve ou AIT (ataque isquêmico transitório) é uma urgência médica e deve ser atendido imediatamente em um centro de AVC’, diz Martins.
Prevenir, no entanto, é a medida mais eficaz. Manter a pressão abaixo de 12/8, não fumar, evitar álcool em excesso, adotar alimentação equilibrada, praticar exercícios, controlar o peso e tratar doenças cardíacas são medidas essenciais.
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Texto: Unimed Vitória
Boca torta, fraqueza ou dormência em um dos lados do corpo e dificuldade para falar estão entre os principais sintomas do Acidente Vascular Cerebral (AVC) e acendem um alerta de que é preciso buscar ajuda médica o mais rápido possível. No entanto, existem ainda os derrames cerebrais que ocorrem com sinais bem mais difusos, muitas vezes sem que os pacientes percebam. O chamado “AVC silencioso” pode ser o responsável pela demência vascular, que tem como consequência a perda progressiva de habilidades, como memória, raciocínio, fala e funções motoras.
De acordo com o neurocirurgião e neurorradiologista intervencionista Ulysses Caus Batista, a demência vascular é atualmente a segunda maior causa de demência no mundo, ficando atrás somente do Alzheimer. “A demência vascular ocorre em função de doenças vasculares e pode ser provocada pela oclusão de um grande vaso do cérebro, em que vai haver a lesão de uma grande área cerebral, mas também pode acontecer por meio de uma sequência de pequenos AVCs”.
Ulysses explica que o AVC ocorre quando o fornecimento do sangue para o cérebro é interrompido, causando danos nas células cerebrais devido à falta de oxigênio e nutrientes. No caso do AVC silencioso, a lesão provocada no cérebro é menor, mas ao longo do tempo, se eles continuarem ocorrendo, as lesões vão se acumulando, afetando uma região cada vez maior do cérebro.
Ainda de acordo com o especialista, por serem quase imperceptíveis, é comum que os pacientes só o descubram quando passam por uma avaliação mais rigorosa. “Às vezes acontece de o paciente com 60 anos chegar ao consultório, a gente pedir exames para analisar a condição do cérebro e descobrirmos que ele já teve um AVC”, exemplifica Ulysses. Ainda segundo ele, existem também os AVCs pequenos, ou seja, aqueles que afetam pequenos vasos, causando perdas neurológicas menores, que podem ser recuperadas com um acompanhamento multidisciplinar.
Como os AVCs silenciosos geralmente não são detectados previamente, a melhor forma de combatê-los é com a prevenção. Uma dica, aliás, que vale para qualquer tipo de AVC. “É preciso evitar e tratar os fatores de risco para o Acidente Vascular Cerebral. São eles: a hipertensão, o diabetes, as doenças do colesterol e o sedentarismo”, lista Ulysses.
O neurocirurgião lembra também que os AVCs de modo geral são hoje a segunda maior causa de mortalidade no mundo, além de serem a primeira maior causa de incapacidade. Por isso, tão importante quanto a prevenção é o tratamento precoce. Em caso de qualquer sintoma súbito neurológico, o paciente precisa ser encaminhado o mais breve possível ao hospital.
“O tratamento é baseado em tempo. Quanto mais tempo se passa, mais neurônios são perdidos e as sequelas aumentam.”, alerta o médico.




