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    Home»Destaque»Formação de tornados em Mato Grosso do Sul é inevitável, explica geógrafo
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    Formação de tornados em Mato Grosso do Sul é inevitável, explica geógrafo

    BarthimanBarthimannovembro 12, 2025
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    A formação de tornados em Mato Grosso do Sul é considerada inevitável nos próximos anos, segundo o geógrafo Charlei Aparecido da Silva, da UFGD. O fenômeno ocorre devido a condições climáticas favoráveis, como a falta de vegetação nativa e o encontro entre massas de ar quente e frio.

    A região Centro-Sul do estado é mais propensa a esses eventos devido à ausência de cobertura vegetal e grande presença de produção agrícola. O especialista alerta que é possível prever a formação de tornados com até cinco horas de antecedência, com 90% de precisão, ressaltando a importância da cultura de prevenção.

    Em entrevista ao Campo Grande News, o geógrafo e pesquisador sobre mudanças climáticas e dinâmicas territoriais na UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados), Charlei Aparecido da Silva, explicou a formação de tornados e os motivos pelos quais eles aparecerão em Mato Grosso do Sul.

    Os tornados ocorrem quando há um encontro de ar quente e frio no continente. Para exemplificar, Charlei utilizou o caso do Paraná. Segundo ele, o tornado que atingiu o Estado foi resultado de um ciclone tropical formado no Atlântico. “Uma ponta dele ficou sobre o continente e trazia uma temperatura mais baixa, e ele encontrou naquela região do Paraná um ar muito quente’, detalhou.

    Enquanto o tornado encontra a área de ar quente, ele segue “caminhando’ pelo continente. Caso não haja esse encontro, ou não exista a predisposição entre massas de ar quente e frio, o fenômeno se dissipa.

    Conforme o geógrafo, dificilmente um tornado chegará à região do Pantanal. Já o Centro-Sul do Estado, marcado pela ausência de vegetação nativa e pela grande presença de produção agrícola, favorece a formação desse tipo de fenômeno.

    “A ausência da vegetação nativa favorece o aquecimento do solo e do ar. Associada à chegada de ar frio em alguns momentos no outono ou primavera, gera condições favoráveis à criação de tornado’, detalha Charlei. Ele explica, também, que essa área é mais propensa a outros eventos climáticos extremos, como escassez de chuva, ventos fortes ou cheias severas.

    Esses eventos climáticos estão ligados a um quadro de alterações do clima em escala global, conforme o especialista. “O que temos observado no Brasil é que a formação de ciclones extratropicais está cada vez maior no Oceano Atlântico. Por conta do aquecimento do oceano, o fenômeno tem gerado a formação de tornados no interior dos continentes’, explicou.

    Ele lembra que, em 1989, um tornado muito semelhante ao que atingiu o Paraná passou por Mato Grosso do Sul e atingiu Ivinhema, a cerca de 290 quilômetros de Campo Grande. Já em 2010, o fenômeno atingiu Dourados. “Ele se iniciou no Centro, pegou o fundo do Vale Laranja Doce, que é área mais fria, e foi parar lá no Parque das Nações’, lembrou.

    Ainda segundo o geógrafo, o que está se discutindo atualmente é o aumento da probabilidade de um tornado acontecer. “Ele tem se tornado cada vez mais possível. Nós já vivenciamos eventos extremos ligados ao calor; no ano passado, vivenciamos eventos extremos ligados à chuva, como foi o caso do Rio Grande do Sul, e agora um evento extremo ligado ao vento’, explica.

    Ele detalha que o tornado é um fenômeno natural, mas é considerado um evento extremo porque sua ocorrência traz danos ou prejuízos à sociedade. O pesquisador explica que, embora o clima seja volátil, há meios de prever a formação com antecedência. Com cinco horas de antecedência, é possível prever a ocorrência de um tornado com 90% de chance de acerto.

    “A partir dessas cinco horas, vai diminuindo essa probabilidade. Com 24 horas, você chega a um grau de precisão de 50%, que é o que o CEMADEN (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) tem usado naquele alerta da Defesa Civil’, detalha Charlei.

    O especialista reforça que a prevenção depende da seriedade com que os alertas são recebidos. “É lógico que a cidade do Paraná pensou que era uma piada. O poder público do Paraná achou que aquilo era uma piada e não levou a sério. Tem que se criar uma cultura de prevenção a eventos extremos’, finalizou o especialista.

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