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    Moradores de MS com ‘nome sujo’ devem quase R$ 10 bilhões

    BarthimanBarthimanfevereiro 23, 2026
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    Com mais de 1,2 milhão de consumidores inadimplentes e um estoque de 5,7 milhões de dívidas que somam R$ 9,9 bilhões, Mato Grosso do Sul figura entre os estados em que o endividamento das famílias alcançou patamar crítico.

    Os dados são do Mapa da Inadimplência e Negociação de Dívidas no Brasil produzido pela Serasa, enviados em primeira mão ao Correio do Estado, e que ajudam a dimensionar o peso das contas atrasadas no orçamento dos sul-mato-grossenses, em um cenário marcado por juros elevados, crédito mais caro e perda do poder de compra.

    Somente no primeiro mês deste ano foram quase 8.973 novos registros, ou 427 pessoas por dia útil. Em dezembro de 2025, o total de inadimplentes no Estado era de 1.257.626. Já em janeiro o número total passou a 1.266.599. Quando considerado o intervalo de um ano, conforme os dados da Serasa, foram 121.116 novos registros.

    “A inadimplência não é apenas um reflexo de atrasos pontuais, mas de um contexto econômico que pressiona o orçamento das famílias e dificulta o planejamento financeiro de longo prazo”, afirma a diretora da Serasa, Aline Maciel.

    O retrato da inadimplência no Estado mostra que a maior parte dos débitos está concentrada no sistema financeiro.

    As dívidas com bancos e cartões de crédito respondem por 27,66% do total, seguidas pelas financeiras (18,47%) e pelas chamadas utilities, que englobam contas básicas como água, luz e gás (15,68%). Serviços diversos representam 14,77%, enquanto o varejo soma 9,72%. Telecomunicações, cooperativas e securitizadoras aparecem com participações menores.

    O valor médio por inadimplente em Mato Grosso do Sul chega a R$ 7.834,86, enquanto o ticket médio por dívida é de R$ 1.723,26, o que indica que grande parte dos consumidores acumula mais de uma pendência financeira. Em média, cada inadimplente no Estado possui quase cinco dívidas ativas.

    “A última queda foi registrada em dezembro de 2024. Para todas as idades, regularizar as contas é o primeiro passo para sair do vermelho e retomar o controle da vida financeira”, afirma Patrícia Camillo, gerente da Serasa.

    O mestre em Economia Eugênio Pavão, aponta que com a perda de poder de compra e o aumento do custo de vida, as famílias têm usado o crédito como extensão da renda. Esse comportamento, segundo ele, transforma o endividamento em condição de sobrevivência.

    “Estamos diante de um endividamento estrutural, que não é mais apenas fruto de consumo, mas de sobrevivência”, avalia.

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    Entre os municípios, Campo Grande concentra a maior fatia da inadimplência estadual. A Capital soma 491,6 mil inadimplentes, com 2,55 milhões de dívidas, que totalizam R$ 4,54 bilhões. O valor médio por consumidor chega a R$ 9.236,45, acima da média estadual.

    Na sequência aparecem Dourados, com 106,1 mil inadimplentes e um estoque de R$ 850,4 milhões em dívidas, e Três Lagoas, em que 57,6 mil consumidores acumulam R$ 429,8 milhões em débitos.

    Corumbá e Ponta Porã também figuram entre os municípios com maior volume de inadimplentes e valores expressivos em atraso.

    O perfil dos devedores no Estado revela uma leve predominância do público masculino, que representa 52,3% dos inadimplentes, contra 47,7% de mulheres. Em relação à faixa etária, o maior grupo está entre 41 e 60 anos (35,3%), seguido por consumidores de 26 a 40 anos (33,7%).

    Pessoas com mais de 60 anos correspondem a quase 20% dos inadimplentes, o que reforça o impacto do endividamento também sobre aposentados e idosos.

    FEIRÃO

    Esse contexto explica a aposta em medidas emergenciais para tentar estancar o avanço da inadimplência. A partir de hoje, começa a 35ª edição do Feirão Serasa Limpa Nome, considerado o maior mutirão de negociação de dívidas do País.

    A ação segue até 1º de abril e reúne mais de 2,2 mil empresas, oferecendo descontos que podem chegar a 99% para consumidores negativados.

    Em Mato Grosso do Sul, o alcance da iniciativa é expressivo: mais de 2,1 milhões de consumidores terão acesso a 9,2 milhões de ofertas de renegociação, que incluem dívidas com bancos, financeiras, empresas de serviços básicos, telefonia, varejo e securitizadoras.

    A quitação pode ser feita, inclusive, via Pix, o que garante a baixa imediata da negativação e a possibilidade de melhora instantânea no Serasa Score.

    “O Feirão vai além da negociação de dívidas e pode ser o primeiro passo de uma jornada de educação financeira, ao permitir que o consumidor entenda sua situação, renegocie compromissos em condições mais justas e volte a planejar o futuro com mais clareza”, afirma a diretora da Serasa.

    Além do ambiente digital, o Feirão também conta com atendimento presencial gratuito nas mais de 7 mil agências dos Correios espalhadas pelo território nacional.

    Para realizar a negociação, basta que o titular da dívida apresente um documento oficial com foto. As ofertas e condições disponíveis nas agências são as mesmas que constam no site e no aplicativo da Serasa.

    “A parceria com os Correios amplia significativamente o alcance da ação, levando a renegociação de dívidas a regiões onde o atendimento presencial ainda é essencial. Nosso objetivo é garantir que ninguém fique de fora por falta de acesso digital, promovendo inclusão financeira, conveniência e segurança em todo o processo”, destaca Aline Maciel.

    Para o presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, a parceria é mais uma iniciativa que demonstra o compromisso da estatal com o atendimento humanizado.

    “Os Correios têm um papel fundamental na prestação de serviços à população, especialmente por estarem presentes em todo o País. Essa parceria com o Serasa amplia o acesso da população à negociação de dívidas, levando informação, orientação e oportunidades reais de regularização financeira a quem mais precisa”, ressalta.

    O cenário estadual acompanha uma tendência nacional preocupante. O Brasil iniciou 2026 com 81,3 milhões de consumidores inadimplentes, número recorde segundo a Serasa.

    Ao todo, são 327 milhões de débitos ativos, que somam R$ 524 bilhões. Apenas entre dezembro de 2025 e janeiro deste ano, mais de 71 mil brasileiros entraram para a lista de negativados.

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