Rafael da Silva Costa, de 35 anos, morto após um surto no Bairro Tarsila do Amaral, na última sexta-feira (21), estava agressivo e tentou pegar a arma de um policial durante a abordagem, segundo a PM (Polícia Militar). A corporação divulgou nota à imprensa na manhã desta segunda-feira (24). A família, no entanto, contesta a versão e afirma que Rafael já estava inconsciente quando foi colocado no camburão.
De acordo com a nota, os policiais foram acionados por um funcionário de um estabelecimento comercial, por volta das 18h10, para atender uma ocorrência de ato obsceno. O relato é de que Rafael estava com as calças abaixadas, “expondo parcialmente suas partes genitais’, em surto e gritando.
Ao chegar ao local, a equipe afirma ter iniciado a “verbalização’, procedimento inicial previsto no uso diferenciado da força, mas o homem não teria acatado as ordens e passou a desacatar os militares. Diante da resistência, foi dada voz de prisão.
Ainda conforme o documento, ao tentar algemar o homem, ele “intensificou sua agressividade’, o que levou ao uso progressivo de técnicas de contenção, incluindo spray de pimenta, técnicas de imobilização e o emprego de arma eletroeletrônica de incapacitação neuromuscular (arma de choque). Mesmo após os protocolos, Rafael teria continuado a resistir e, segundo a PM, chegou a tentar retirar a arma de um dos policiais. Após novo esforço físico, ele foi contido e algemado.
A corporação afirma ainda que, durante o atendimento, Rafael apresentou alteração no estado de saúde e foi imediatamente assistido pelos policiais. Ele foi encaminhado para a unidade de saúde mais próxima, onde recebeu atendimento médico, teve o quadro estabilizado e permaneceu aguardando transferência. A PM também afirma que os protocolos foram seguidos conforme o POP (Procedimento Operacional Padrão) e que a Corregedoria abriu procedimento para apurar o caso.
Família contesta – Durante o velório, familiares disseram que Rafael estava em surto e teria pedido ajuda, mas foi agredido pelos policiais durante a abordagem. Parentes afirmam que moradores relataram que ele já estava inconsciente dentro do camburão quando outra equipe chegou ao local.
‘Ela disse que, quando chegou, ele já estava desmaiado. E, mesmo assim, começaram a bater nele. Falaram que ele estava fingindo, mas ele não estava fingindo. Já estava apagado’, contou a irmã, Taiane da Silva Costa.
A família, que mora em Rondônia, havia chegado a Campo Grande poucas horas antes. Um dos irmãos tinha levado Rafael ao trabalho no mesmo dia. Ao chegar à UPA (Unidade de Pronto Atendimento), Taiane diz ter sido informada de que o estado do irmão era extremamente grave.
Eles afirmam ainda que o local possui câmeras em diversos pontos. “Fomos lá, mas disseram que só liberam para a polícia e para o advogado’, explicou a irmã.





