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    O que a cirurgia do papa Leão 14 ensina sobre o diagnóstico do câncer de pulmão

    BarthimanBarthimanoutubro 22, 2026
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    O diagnóstico de câncer costuma provocar preocupação e muitas dúvidas. Quando envolve uma figura pública, como o papa Leão 14, desperta também interesse sobre a doença e as suas possibilidades de tratamento.

    No dia 13, o papa Leão 14, de 71 anos, foi submetido a uma cirurgia para retirada do lobo inferior do pulmão direito, em Roma. Um exame do tecido realizado durante a operação confirmou um adenocarcinoma pulmonar, o subtipo mais frequente de câncer de pulmão, já suspeitado pelos médicos nos exames anteriores. Segundo a Santa Sé, a cirurgia ocorreu sem complicações.

    O câncer de pulmão é a principal causa de mortes por câncer no mundo. Segundo a OMS, foram aproximadamente 2,5 milhões de novos casos e 1,8 milhão de mortes em 2022. No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima 35.380 novos casos por ano no triênio 2026–2028, considerando os cânceres de traqueia, brônquios e pulmão.

    O tabagismo é seu principal fator de risco, mas a doença também pode ocorrer em pessoas que nunca fumaram. Exposição passiva à fumaça do cigarro, poluição atmosférica e determinados fatores genéticos e ocupacionais também podem contribuir para seu desenvolvimento.

    O câncer de pulmão não é uma doença única. Existem dois grandes grupos: o câncer de pulmão de não pequenas células, responsável por cerca de 80% a 85% dos casos, e o de pequenas células, que representa aproximadamente 10% a 15%.

    O primeiro grupo reúne diferentes subtipos, como o adenocarcinoma, diagnosticado no papa Leão 14, o carcinoma de células escamosas e o carcinoma de grandes células. O câncer de pequenas células costuma crescer e se disseminar mais rapidamente e tem forte associação com o tabagismo. Existem ainda tumores pulmonares mais raros, como os carcinoides.

    No caso do papa, o tumor foi descoberto por acaso, durante exames de imagem do abdômen realizados por outros motivos. O nódulo foi identificado na base do pulmão, região que também pode aparecer nas imagens de exames abdominais. O pontífice não apresentava sintomas respiratórios.

    A descoberta de um nódulo pulmonar não significa necessariamente a presença de câncer. É preciso avaliar suas características e, quando indicado, realizar exames complementares para esclarecer o diagnóstico.

    Mesmo depois da confirmação de um tumor maligno, não basta conhecer seu subtipo para determinar o prognóstico. É necessário avaliar o tamanho do tumor, o comprometimento dos linfonodos —pequenas estruturas que fazem parte do sistema de defesa do organismo— e a eventual presença de células cancerosas em outros órgãos.

    Essa avaliação permite estabelecer o estágio da doença, informação fundamental para definir as possibilidades de tratamento. Tumores localizados podem ser tratados com cirurgia, enquanto situações em que a doença está mais disseminada exigem outras estratégias terapêuticas.

    A cirurgia realizada no papa é chamada de lobectomia e consiste em retirar o lobo do pulmão que contém o tumor, preservando o restante do órgão. Em pacientes selecionados, quando a doença está localizada e pode ser completamente removida, esse procedimento oferece uma possibilidade de tratamento com intenção curativa.

    No caso de Leão 14, a operação foi realizada por técnica videoassistida, que utiliza uma câmera e pequenas incisões para permitir a retirada do lobo comprometido. O procedimento durou aproximadamente 90 minutos.

    Além de retirar o tumor, a cirurgia permite analisar detalhadamente o tecido e os linfonodos, ajudando a determinar o estágio da doença. A operação, entretanto, não significa necessariamente que o tratamento terminou.

    Dependendo do estágio da doença, dos resultados da análise anatomopatológica e das características moleculares do tumor, pode ser necessário complementar a cirurgia com quimioterapia, imunoterapia ou terapia-alvo. Em situações específicas, esses tratamentos podem reduzir o risco de recorrência, ou seja, de o câncer voltar a se manifestar após o tratamento.

    A quimioterapia utiliza medicamentos que atuam sobre as células cancerosas. A imunoterapia estimula a capacidade do sistema imunológico de reconhecer e combater o tumor. Já as terapias-alvo agem sobre alterações moleculares específicas, presentes em determinados tipos de câncer.

    Os avanços da oncologia ampliaram essas possibilidades. Hoje, a análise molecular permite identificar alterações genéticas dos tumores que podem indicar maior probabilidade de resposta a determinados medicamentos. Entre elas estão mutações no gene EGFR e rearranjos do gene ALK, que podem orientar a utilização de terapias-alvo. Esses tratamentos passaram a fazer parte das opções disponíveis para grupos específicos de pacientes, inclusive em algumas situações após a cirurgia.

    No caso do papa Leão 14, a definição sobre a necessidade de tratamento complementar depende dos resultados completos da avaliação médica. Embora a cirurgia tenha ocorrido sem complicações e o pontífice tenha recebido alta hospitalar, não é possível estabelecer seu prognóstico individual apenas com as informações divulgadas até agora.

    O câncer de pulmão pode permanecer silencioso durante parte de sua evolução. Quando surgem sintomas, eles podem incluir tosse persistente, falta de ar, dor torácica, rouquidão, sangue no escarro e perda de peso inexplicada. Esses sinais não significam necessariamente câncer, mas justificam avaliação médica.

    A investigação pode incluir exames de imagem e, quando necessário, biópsia para confirmar o diagnóstico. Descobrir o tumor em fase inicial pode ampliar as possibilidades terapêuticas e aumentar a chance de cura.

    É importante, entretanto, distinguir diagnóstico precoce de rastreamento. O primeiro envolve investigar sinais, sintomas ou alterações suspeitas. O segundo procura a doença em pessoas sem sintomas, selecionadas conforme seu risco.

    A descoberta incidental do tumor do papa não constitui um exemplo de rastreamento, pois o nódulo foi identificado durante exames realizados por outro motivo. O caso do papa Leão 14 mostra como a identificação de um tumor e a avaliação de suas características orientam as decisões médicas.

    Este texto foi publicado no The Conversation.

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    O preço do trigo recebido pelos produtores catarinenses subiu 3,5% em setembro de 2026, alcançando R$ 73,47 por saca de 60 quilos. Na comparação com o mesmo mês de 2025, a valorização foi de 1,34%. O movimento ocorre em um cenário de oferta limitada e dificuldades climáticas nas principais regiões produtoras do país, fatores que afetam tanto a colheita quanto a qualidade dos grãos. No Paraná, a cotação média no mercado-balcão chegou a R$ 78,47 por saca, alta de 4,8% em relação a agosto. No Rio Grande do Sul, o valor alcançou R$ 71,90, avanço mensal de 3%. Os dados integram o Boletim Agropecuário de outubro de 2026, elaborado pela Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri/Cepa). A produção brasileira enfrenta dificuldades desde o planejamento da safra. Segundo o levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) citado no boletim, a área cultivada com trigo em 2026 é inferior a 2 milhões de hectares, a menor desde 2017. Além do desestímulo relacionado às condições de mercado, as lavouras do Sul foram afetadas pelo excesso de chuva, pela umidade elevada, por episódios de granizo e por geadas durante as fases de maturação e colheita. Imagem criada por Jaqueline Galvão/OP Rural/ChatGPT No Rio Grande do Sul, as primeiras áreas colhidas confirmaram as expectativas de redução da produtividade e da qualidade. A combinação de dias nublados, temperaturas amenas e umidade favoreceu doenças nas espigas, como giberela e brusone. No Paraná, o avanço da colheita também depende de períodos de tempo seco e da redução da umidade dos grãos. Em Santa Catarina, aproximadamente 14% da área destinada ao trigo havia sido colhida até a última semana de setembro. Naquele momento, 85% das lavouras apresentavam boas condições, enquanto 15% estavam classificadas como médias. Nas regiões de Chapecó e Xanxerê, responsáveis por 38% da produção estadual, foram registrados problemas de acamamento provocados por chuvas e ventos fortes. As primeiras áreas colhidas nessas duas microrregiões apresentaram produtividade entre 2.220 e 3.300 quilos por hectare. Em São Miguel do Oeste, os rendimentos variaram de 2.600 a 3.200 quilos por hectare, apesar dos prejuízos causados pelas chuvas e da necessidade de controle de doenças fúngicas. As perspectivas internacionais também apontam para uma redução da produção. Para a safra mundial 2026/27, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta 822,43 milhões de toneladas de trigo, abaixo das 843,99 milhões estimadas para o ciclo 2025/26. No mesmo intervalo, o consumo global deverá passar de 823,98 milhões para 826,75 milhões de toneladas. No Brasil, a produção projetada caiu para 6,3 milhões de toneladas. Para atender à demanda interna prevista para 2027, a indústria nacional estima a necessidade de importar até 7,5 milhões de toneladas. O boletim aponta que o câmbio e os fretes marítimos podem elevar os custos de aquisição do cereal. A combinação entre menor disponibilidade interna e dificuldades na produção reforça a importância do comportamento dos preços e da qualidade dos grãos colhidos nos próximos meses.

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